Frases de Fernando Pessoa - O sonho que nos promete o impo

Frases de Fernando Pessoa - O sonho que nos promete o impo...


Frases de Fernando Pessoa


O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele.

Fernando Pessoa

Esta citação de Fernando Pessoa explora o paradoxo do desejo humano: ao prometer o inatingível, o sonho simultaneamente nos afasta da sua realização. Revela uma profunda reflexão sobre a natureza ilusória das nossas aspirações mais elevadas.

Significado e Contexto

Esta citação encapsula um dos temas centrais na obra de Fernando Pessoa: a tensão entre realidade e ilusão. O 'sonho que nos promete o impossível' representa todas as aspirações, desejos e ideais que transcendem a realidade concreta. Ao fazer essa promessa, o sonho cria uma expectativa que, por sua própria natureza inatingível, nos priva da possibilidade de realização. Não se trata apenas de frustração, mas de uma privação essencial: ao fixarmo-nos no impossível, perdemos a capacidade de apreciar ou alcançar o possível. A frase sugere que a própria promessa de transcendência nos afunda mais profundamente na condição humana limitada. Num nível mais profundo, Pessoa explora aqui a natureza autodestrutiva do desejo humano. O que nos eleva (o sonho do impossível) é simultaneamente o que nos condena à insatisfação. Esta visão reflete influências do decadentismo e do simbolismo, movimentos literários que Pessoa absorveu e transformou. A citação funciona como um microcosmo da sua filosofia: o ser humano é constitutivamente dividido entre o que aspira ser e o que efetivamente é, e essa divisão é fonte tanto de grandeza como de desespero.

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu durante um período de profunda transformação em Portugal e na Europa. O início do século XX foi marcado pela crise dos valores tradicionais, pela Primeira Guerra Mundial e pelo surgimento dos movimentos modernistas. Pessoa, educado na África do Sul e fluente em inglês, trouxe influências anglo-saxónicas para a literatura portuguesa. Criou os famosos heterónimos (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis) como expressões de diferentes facetas da sua personalidade e visões do mundo. Esta citação reflete o clima de desencanto e busca metafísica característico do modernismo português.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância surpreendente no século XXI, onde as sociedades contemporâneas são frequentemente orientadas por sonhos de perfeição, sucesso absoluto ou felicidade constante. Nas redes sociais, na publicidade e na cultura do consumo, somos continuamente apresentados a ideais inatingíveis. A reflexão de Pessoa alerta-nos para os perigos psicológicos de perseguir o impossível: ansiedade, depressão e uma sensação crónica de inadequação. Num mundo que valoriza a realização pessoal acima de tudo, esta citação serve como contraponto filosófico, lembrando-nos que a aceitação dos limites pode ser mais libertadora do que a perseguição de quimeras.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa nos seus escritos filosóficos e aforismos, frequentemente incluída em antologias do autor. Embora não seja possível identificar um único livro específico, aparece em coletâneas como 'Aforismos e Afins' e em edições da sua prosa não-ficcional.

Citação Original: O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele.

Exemplos de Uso

  • Na psicologia contemporânea, esta ideia ecoa nos estudos sobre perfeccionismo, onde a busca de padrões inatingíveis leva à paralisia e à infelicidade.
  • No contexto empresarial, pode aplicar-se a startups que perseguem modelos de negócio irrealistas, sacrificando oportunidades viáveis em nome de visões grandiosas.
  • Nas relações interpessoais, ilustra como idealizar um parceiro perfeito pode impedir-nos de construir conexões genuínas com pessoas reais.

Variações e Sinônimos

  • Quem tudo quer, tudo perde
  • Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar
  • A ambição é o último refúgio do fracasso (Oscar Wilde)
  • O perfeito é inimigo do bom
  • Quem corre atrás do vento, fica sem ar

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personagens literárias completas com biografias, estilos e filosofias próprias), um feito único na história da literatura mundial. Muitos dos seus textos mais filosóficos, como esta citação, foram escritos sob o seu próprio nome, distinguindo-se assim das vozes dos heterónimos.

Perguntas Frequentes

O que significa exatamente 'priva' nesta citação?
'Priva' significa retirar, privar ou negar. Pessoa sugere que o próprio ato de sonhar com o impossível nos nega a possibilidade de o alcançar, criando uma contradição interna no desejo humano.
Esta citação é pessimista ou realista?
É mais realista do que pessimista. Pessoa não condena os sonhos, mas alerta para as suas consequências paradoxais. A visão é filosófica, analisando mecanismos psicológicos universais.
Como se relaciona esta ideia com os heterónimos de Pessoa?
Cada heterónimo representa uma resposta diferente a este paradoxo: Caeiro rejeita os sonhos, Campos oscila entre euforia e desespero, Reis busca uma serenidade clássica. A citação sintetiza o conflito que os heterónimos exploram.
Esta frase aplica-se apenas a grandes sonhos ou também a objetivos quotidianos?
Aplica-se a qualquer desejo que transcenda significativamente a realidade possível. Desde ambições profissionais desmedidas até expectativas irreais em relações pessoais, o mecanismo psicológico é semelhante.

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