Frases de Clarice Lispector - Meu cansaço é muito porque s...

Meu cansaço é muito porque sou uma pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector opera em dois níveis simultâneos. No plano literal, apresenta uma justificação hiperbólica para o cansaço comum, atribuindo-o a uma tarefa impossível: 'tomar conta do mundo'. No plano filosófico, revela uma profunda reflexão sobre a condição humana contemporânea, onde o indivíduo se sente responsável por realidades que ultrapassam o seu controlo. A ironia reside precisamente na contradição entre a grandiosidade da tarefa ('cuidar do mundo') e a banalidade do sintoma ('cansaço'), sugerindo que o mal-estar moderno muitas vezes nasce de expectativas desmedidas e de uma internalização de responsabilidades coletivas. Esta frase encapsula a sensação de sobrecarga que caracteriza a vida moderna, onde as fronteiras entre o pessoal e o global se esbatem. Lispector transforma um queixe comum numa metáfora existencial, questionando implicitamente até que ponto assumimos sobre nós mesmos o peso do mundo. A expressão 'pessoa extremamente ocupada' ganha assim uma dimensão cósmica, refletindo não apenas agitação quotidiana, mas uma inquietação metafísica face ao estado das coisas.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) escreveu durante um período de transformações sociais e políticas no Brasil, incluindo a ditadura militar (1964-1985). A sua obra, frequentemente associada ao modernismo brasileiro e ao existencialismo, explora a interioridade humana e as contradições da vida quotidiana. Embora não seja possível identificar com precisão a origem desta citação específica sem referência bibliográfica exata, ela reflete temas centrais da sua escrita: a tensão entre o íntimo e o universal, e a busca de significado em gestos aparentemente banais.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no século XXI, onde a conectividade digital e a globalização amplificam a sensação de responsabilidade coletiva. Num mundo de notícias em tempo real, crises climáticas e debates sociais permanentes, muitos indivíduos experienciam precisamente este 'cansaço de cuidar do mundo' - uma fadiga que nasce da exposição constante a problemas globais e da pressão para se posicionar ou agir. A citação ressoa com fenómenos contemporâneos como o 'burnout', a ansiedade climática ou a fadiga de compaixão, oferecendo uma formulação poética para mal-estares amplamente partilhados.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Clarice Lispector em antologias e coletâneas de frases célebres, mas a sua origem exata (obra específica, data, contexto) não é universalmente documentada em fontes canónicas. Pode tratar-se de uma frase extraída de entrevistas, correspondência ou textos menos conhecidos da autora.
Citação Original: Meu cansaço é muito porque sou uma pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo.
Exemplos de Uso
- Num contexto de ativismo: 'Não posso participar na manifestação esta semana - estou com aquele cansaço de Lispector, a tomar conta do mundo.'
- Em conversa informal sobre stress: 'Este cansaço não é normal, parece que ando a tomar conta do mundo, como dizia Clarice.'
- Na reflexão sobre responsabilidades: 'Às vezes sinto-me sobrecarregado não pelas minhas tarefas, mas por aquela sensação lispectoriana de ter de cuidar de tudo.'
Variações e Sinônimos
- 'Carrego o mundo nas costas'
- 'O peso do mundo sobre os ombros'
- 'Cansaço cósmico'
- 'Fadiga existencial'
- 'Síndrome de Atlas' (referência mitológica)
Curiosidades
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e chegou ao Brasil com apenas dois anos, facto que alguns críticos associam ao seu sentimento de deslocamento e à sua perspetiva única sobre a condição humana - como alguém que, de certa forma, sempre 'tomou conta' de realidades múltiplas.


