Frases de Marquês de Maricá - O avarento é o mais leal e fi...

O avarento é o mais leal e fiel depositário dos bens dos seus herdeiros.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
A citação do Marquês de Maricá apresenta uma perspetiva paradoxal sobre a avareza. Enquanto tradicionalmente vista como um vício egoísta, o autor sugere que o avarento, ao acumular riqueza de forma obsessiva e evitar gastos, acaba por funcionar como um administrador involuntariamente eficaz dos bens que eventualmente serão herdados. Esta interpretação sublinha como um comportamento moralmente questionável pode ter consequências inesperadamente positivas para terceiros, neste caso os herdeiros. A frase também convida a uma reflexão sobre a natureza da riqueza e sua transmissão intergeracional. Ao descrever o avarento como 'leal e fiel depositário', Maricá utiliza ironia para questionar os motivos por trás da acumulação de capital, sugerindo que mesmo ações movidas por ganância podem resultar em benefícios coletivos futuros, embora não intencionais.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicadas postumamente) reúnem observações morais e filosóficas influenciadas pelo Iluminismo e pelo contexto socioeconómico do Brasil oitocentista, marcado por transformações pós-independência e debates sobre ética e sociedade.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância contemporânea ao abordar temas como planeamento sucessório, ética do consumo e psicologia económica. Num mundo com preocupações ambientais e debates sobre desigualdade, a reflexão sobre acumulação versus distribuição de recursos continua atual. Além disso, a ironia da citação ressoa em discussões modernas sobre poupança compulsiva, investimentos e heranças familiares.
Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá, publicada postumamente a partir dos seus escritos.
Citação Original: O avarento é o mais leal e fiel depositário dos bens dos seus herdeiros.
Exemplos de Uso
- Em discussões sobre planeamento financeiro familiar, pode-se referir esta citação para ilustrar como a poupança excessiva, embora criticável, pode assegurar estabilidade às gerações futuras.
- Em contextos literários ou filosóficos, a frase é usada para exemplificar paradoxos éticos onde vícios pessoais geram benefícios sociais não intencionais.
- Em análises económicas comportamentais, a citação serve para discutir motivações por trás da acumulação de riqueza e suas consequências intergeracionais.
Variações e Sinônimos
- Quem poupa sempre tem
- O avarento enterra o ouro para os herdeiros desenterrarem
- A avareza é a herança do pobre (ditado popular)
- Guardar para os que ficam
Curiosidades
O Marquês de Maricá era conhecido por seu estilo conciso e irónico, com suas máximas frequentemente comparadas às de La Rochefoucauld. Curiosamente, apesar de sua posição aristocrática, suas reflexões mostram uma perspicaz compreensão das dinâmicas sociais e económicas.


