Frases de Periandro - Os prazeres são passageiros,

Frases de Periandro - Os prazeres são passageiros, ...


Frases de Periandro


Os prazeres são passageiros, só a glória é perene.

Periandro

Esta citação de Periandro convida a uma reflexão sobre a natureza efémera dos prazeres sensoriais em contraste com a durabilidade da glória alcançada através de feitos memoráveis. Sugere que o que verdadeiramente perdura na memória coletiva não são os momentos de deleite, mas sim as conquistas que transcendem o tempo.

Significado e Contexto

A citação 'Os prazeres são passageiros, só a glória é perene' estabelece uma dicotomia fundamental entre experiências imediatas de satisfação e conquistas de longo prazo. Os prazeres referem-se a gratificações sensoriais ou emocionais temporárias - como diversão, conforto ou reconhecimento momentâneo - que se dissipam rapidamente. Em contraste, a glória representa o reconhecimento duradouro por feitos notáveis, contribuições significativas ou virtudes exemplares que permanecem na memória coletiva além da vida do indivíduo. Filosoficamente, esta afirmação reflete uma visão que valoriza a transcendência sobre a imanência, sugerindo que o verdadeiro significado da existência humana reside na capacidade de criar algo que sobreviva ao próprio tempo. Não se trata necessariamente de fama superficial, mas da glória genuína que emerge de ações meritórias, sabedoria partilhada ou contribuições que beneficiam a comunidade. Esta perspetiva convida a considerar que investir em legados significativos pode ser mais satisfatório do que perseguir prazeres fugazes.

Origem Histórica

Periandro foi um dos Sete Sábios da Grécia Antiga e tirano de Corinto durante o século VII a.C. (aproximadamente 627-585 a.C.). Embora classificado como 'tirano' no sentido político da época (governante não hereditário que assumiu o poder), era reconhecido como um administrador capaz que promoveu o desenvolvimento económico e cultural de Corinto. Os Sete Sábios eram figuras reverenciadas por sua sabedoria prática e aforismos morais, frequentemente expressos em máximas concisas como esta. O contexto histórico é o período arcaico grego, quando valores como honra, reputação e legado eram centrais na cultura aristocrática.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância contemporânea ao questionar valores materialistas e hedonistas predominantes. Na era do consumo rápido e gratificação instantânea (redes sociais, entretenimento efémero), a reflexão sobre o que realmente perdura adquire especial significado. Aplica-se a discussões sobre legado profissional, contribuições científicas ou artísticas, ativismo social e educação - áreas onde o impacto duradouro contrasta com satisfações momentâneas. Também ressoa em debates sobre sustentabilidade e responsabilidade intergeracional.

Fonte Original: A citação é atribuída a Periandro através da tradição dos 'Ditos dos Sete Sábios' (Apophhegmata), compilados por autores posteriores como Diógenes Laércio em 'Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres'. Não provém de um livro específico do próprio Periandro, cujas obras não sobreviveram, mas de transmissão oral e compilações helenísticas.

Citação Original: Os prazeres são passageiros, só a glória é perene. (A citação já está em português; em grego antigo seria: 'αἱ μὲν ἡδοναὶ πρόσκαιροι, ἡ δὲ δόξα ἀΐδιος')

Exemplos de Uso

  • Um cientista que renuncia a reconhecimento imediato para desenvolver pesquisas cujo impacto só será compreendido décadas depois.
  • Um artista que cria obras não para tendências passageiras, mas para dialogar com questões humanas eternas.
  • Um líder comunitário que investe em projetos de infraestrutura que beneficiarão gerações futuras, em detrimento de popularidade efémera.

Variações e Sinônimos

  • A fama é eterna, os prazeres são fugazes.
  • As ações ficam, as sensações passam.
  • Legado sobrevive, prazeres desvanecem.
  • Ditado popular: 'Obras são amores, e não boas razões.' (focado em ações versus palavras)

Curiosidades

Periandro é paradoxalmente lembrado tanto como tirano (contam-se histórias de crueldade) quanto como sábio - esta dualidade reflete a complexidade da figura histórica. Curiosamente, seu governo foi marcado por grandes obras públicas em Corinto que, de certa forma, materializam sua própria citação: prazeres do poder passageiros, mas glória das construções perene.

Perguntas Frequentes

Periandro era realmente um tirano? Como conciliar isso com sua sabedoria?
Sim, Periandro era considerado tirano no sentido político grego (governante não hereditário). A sabedoria atribuída aos Sete Sábios referia-se a insights filosóficos e morais, não necessariamente a perfeição ética pessoal - refletindo a separação entre ensinamento e conduta comum na antiguidade.
Esta citação promove a negação total dos prazeres?
Não necessariamente. A interpretação mais comum é de hierarquização de valores: os prazeres têm lugar, mas são efémeros; investir em glória (entendida como legado significativo) oferece satisfação mais duradoura. É sobre equilíbrio e perspetiva, não ascetismo radical.
Como aplicar esta ideia no mundo contemporâneo de redes sociais?
Pode ser lida como crítica à busca por 'likes' e validação instantânea (prazeres passageiros), incentivando em vez a criação de conteúdo com substância, projetos colaborativos ou ações que deixem marcas positivas duradouras (glória no sentido de impacto significativo).
Que outros filósofos abordaram temas semelhantes?
Sêneca (estoicismo) discutiu a fugacidade dos prazeres; Platão explorou a busca pela eternidade através da verdade e beleza; Nietzsche posteriormente questionou conceitos de glória e eternidade. A tensão entre efémero e eterno é tema filosófico recorrente.

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