Frases de Karl Popper - Não devemos aceitar sem quali

Frases de Karl Popper - Não devemos aceitar sem quali...


Frases de Karl Popper


Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância.

Karl Popper

Esta citação revela o paradoxo da tolerância: para proteger a liberdade, devemos estabelecer limites àqueles que a ameaçam. É um alerta sobre os perigos de permitir que ideologias intolerantes se propaguem sob o manto da aceitação.

Significado e Contexto

Esta citação, conhecida como 'o paradoxo da tolerância', argumenta que uma sociedade verdadeiramente tolerante não pode permitir a propagação ilimitada de ideologias intolerantes. Popper defende que, se aceitarmos sem restrições grupos ou ideias que pregam a discriminação, o ódio ou a supressão de direitos, acabaremos por permitir que esses mesmos grupos destruam os fundamentos da tolerância e da liberdade que os acolheram. A tolerância ilimitada levaria, paradoxalmente, à sua própria extinção, pois os intolerantes, uma vez no poder, não hesitariam em suprimir os valores que os toleraram. Portanto, para preservar uma 'sociedade aberta', é necessário estabelecer limites legais e sociais que impeçam a intolerância de se tornar dominante, mesmo que isso signifique ser, em certa medida, intolerante com os intolerantes.

Origem Histórica

Karl Popper (1902-1994) foi um filósofo austro-britânico, conhecido pela sua defesa da 'sociedade aberta' e pela crítica ao totalitarismo. A citação surge no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, quando a Europa refletia sobre as causas do ascenso de regimes fascistas e comunistas que destruíram democracias. Popper, que fugiu do nazismo, argumentava que as democracias liberais precisavam de se defender ativamente contra ideologias que negam a liberdade e os direitos humanos, para evitar repetir os erros do passado.

Relevância Atual

Esta frase mantém-se profundamente relevante hoje, especialmente no debate sobre discurso de ódio, extremismo político e liberdade de expressão. Em tempos de polarização e ascensão de movimentos populistas, o paradoxo da tolerância é frequentemente invocado para justificar limites legais ao discurso intolerante, a regulação de redes sociais, ou a exclusão de grupos extremistas do debate público. Aplica-se a questões como o combate ao racismo, à homofobia, ou à desinformação que ameaça processos democráticos.

Fonte Original: Obra 'A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos' (The Open Society and Its Enemies), publicada em 1945.

Citação Original: We should therefore claim, in the name of tolerance, the right not to tolerate the intolerant.

Exemplos de Uso

  • Um governo democrático proíbe partidos políticos que defendem a violência ou a discriminação étnica, invocando o paradoxo da tolerância para proteger a constituição.
  • Uma plataforma de redes sociais remove conteúdos que incitam ao ódio, argumentando que a liberdade de expressão não pode ser usada para destruir a dignidade de outros utilizadores.
  • Uma universidade recusa dar palco a um orador conhecido por negar o Holocausto, para não legitimar ideias que minam os valores académicos de respeito e verdade.

Variações e Sinônimos

  • A tolerância ilimitada leva à destruição da tolerância.
  • Não se pode tolerar os intolerantes.
  • A liberdade exige limites para se preservar.
  • Quem tudo tolera, tudo perde.

Curiosidades

Karl Popper desenvolveu esta ideia numa nota de rodapé do seu livro 'A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos', mas tornou-se uma das suas citações mais famosas, frequentemente discutida em debates sobre direitos humanos e ética política.

Perguntas Frequentes

O que é o paradoxo da tolerância?
É a ideia de que uma sociedade tolerante deve ser intolerante com a intolerância, para evitar que esta destrua os próprios fundamentos da tolerância.
Karl Popper defendia a censura?
Não, Popper defendia limites legais e sociais à intolerância extrema, mas sempre no contexto de proteger a liberdade e a democracia, não a censura arbitrária.
Como aplicar o paradoxo na prática?
Através de leis que proíbam discurso de ódio ou ações violentas, e de normas sociais que rejeitem a normalização de ideologias discriminatórias.
Esta citação justifica a intolerância?
Justifica uma intolerância limitada e direcionada contra ideologias que ameaçam destruir a tolerância, não uma intolerância geral ou preconceituosa.

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