Frases de Fernando Pessoa - Se escrevo o que sinto é porq...

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
A frase 'Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir' encapsula a ideia de que a escrita funciona como um mecanismo de regulação emocional. O ato de transformar sentimentos em palavras permite ao autor distanciar-se da experiência emocional bruta, convertendo-a num objeto exterior que pode ser observado, analisado e, consequentemente, controlado. A metáfora da 'febre' sugere que o sentir, em sua forma pura, é uma condição intensa, quase patológica, que a escrita ajuda a mitigar, atuando como um antídoto ou um processo de cura através da expressão. Num contexto mais amplo, esta visão reflete uma compreensão da criação literária não apenas como arte, mas como uma necessidade psicológica. A escrita torna-se um ritual através do qual o caos interior é organizado, dando forma e significado à experiência subjetiva. Este processo não nega a emoção, antes a transforma, permitindo que o indivíduo lide com ela de forma mais consciente e menos avassaladora, estabelecendo uma ponte entre o mundo interno e a realidade partilhável das palavras.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) é uma figura central do Modernismo português. Viveu numa época de profundas transformações sociais, políticas e culturais, marcada pelo fim da monarquia, pela implantação da República e pelo crescente questionamento das certezas tradicionais. A sua obra, desenvolvida maioritariamente nas primeiras décadas do século XX, reflete esta crise de identidade e a fragmentação do eu. A citação emana desta sensibilidade modernista, onde a introspeção, a multiplicidade identitária (evidente na sua criação de heterónimos como Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro) e a exploração da consciência eram temas centrais. A escrita era, para Pessoa, o laboratório onde estas complexidades eram dissecadas.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, onde a sobrecarga emocional e a ansiedade são frequentes. A ideia da escrita como ferramenta terapêutica – seja através de diários, blogs, redes sociais ou terapia narrativa – é amplamente reconhecida pela psicologia moderna. A citação de Pessoa antecipou este entendimento, validando a necessidade humana de processar e dar sentido às emoções através da linguagem. Num contexto digital, onde a expressão pessoal é constante, a reflexão sobre o 'porquê' escrevemos o que sentimos torna-se mais pertinente do que nunca.
Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa e encontra-se frequentemente em antologias e coletâneas dos seus textos e aforismos. Pode ser associada ao seu vasto legado de escritos íntimos, fragmentos e textos em prosa onde refletia sobre o ato de escrever e a natureza do eu. Não está identificada num livro específico único, mas integra o corpus da sua obra dispersa e dos seus papéis pessoais.
Citação Original: Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico: 'O meu psicólogo sugeriu que mantivesse um diário. Lembrei-me de Fernando Pessoa – escrevo o que sinto para diminuir a febre de sentir.'
- Nas redes sociais: 'Partilhar este poema foi a minha forma de diminuir a febre de sentir esta perda. Como dizia Pessoa...'
- Na educação: 'Nesta aula, vamos explorar como a escrita criativa pode ser uma ferramenta de gestão emocional, tal como Fernando Pessoa descreveu.'
Variações e Sinônimos
- A palavra é o alívio da dor.
- Escrever é libertar o que nos oprime.
- A arte como catarse.
- Dar voz ao sentimento é domá-lo.
- O papel absorve as lágrimas que os olhos não choram.
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos – personalidades literárias completas com biografias, estilos e visões de mundo próprias. Esta prática pode ser vista como a expressão máxima da sua ideia de 'diminuir a febre de sentir', distribuindo as suas múltiplas sensibilidades e conflitos internos por várias identidades escritas.


