Frases de Fernando Pessoa - Dorme sobre meu seio, sem mág...

Dorme sobre meu seio, sem mágoa nem amor... No teu olhar eu leio o íntimo torpor de quem conhece o nada-ser de vida e gozo e dor.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
A citação expressa um estado de consciência onde o sujeito poético convida outro a repousar num seio simbólico, livre de 'mágoa' e 'amor' – as emoções polarizadas que definem a experiência humana. O 'olhar' revela um 'íntimo torpor', uma letargia espiritual que surge do reconhecimento do 'nada-ser de vida e gozo e dor'. Esta frase sugere que, ao compreender a transitoriedade e a vacuidade fundamental da existência (incluindo seus prazeres e sofrimentos), atinge-se um estado de quietude resignada, quase niilista, mas apresentada com serenidade poética. Não é uma negação agressiva da vida, mas uma aceitação contemplativa da sua natureza ilusória ou passageira, típica da sensibilidade modernista e heteronímica de Pessoa.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu no contexto do Modernismo português, um período de crise de valores e questionamento das certezas tradicionais, influenciado por correntes como o simbolismo e o decadentismo. A obra de Pessoa, frequentemente atribuída aos seus heterónimos (como Álvaro de Campos ou o próprio ortónimo), explora temas de identidade fragmentada, desilusão com a modernidade e uma angústia existencial própria do início do século XX. Esta citação reflete essa inquietação metafísica, comum na literatura europeia do período pós-Primeira Guerra Mundial.
Relevância Atual
A frase mantém relevância hoje por capturar um sentimento contemporâneo de desencanto e busca de significado num mundo acelerado e muitas vezes superficial. A ideia do 'nada-ser' ressoa com discussões modernas sobre ansiedade existencial, mindfulness (como forma de observar sem apego) e a crítica ao consumismo e à busca incessante de prazer. É uma reflexão atemporal sobre a condição humana, útil para debates em filosofia, psicologia e literatura.
Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa, possivelmente integrante da sua vasta obra poética inédita ou de textos dispersos. Não está identificada num livro específico amplamente conhecido, mas enquadra-se no corpus da sua produção lírica e filosófica.
Citação Original: Dorme sobre meu seio, sem mágoa nem amor... No teu olhar eu leio o íntimo torpor de quem conhece o nada-ser de vida e gozo e dor.
Exemplos de Uso
- Num ensaio sobre desapego emocional, citar a frase para ilustrar a paz que pode surgir ao aceitar a impermanência.
- Numa terapia ou grupo de discussão sobre ansiedade existencial, usar a citação para iniciar uma reflexão sobre o significado da vida.
- Num curso de literatura moderna, analisar a frase como exemplo da temática niilista e contemplativa de Fernando Pessoa.
Variações e Sinônimos
- "O vazio que preenche tudo" (expressão filosófica similar)
- "A paz que vem do desprendimento" (ditado popular sobre serenidade)
- "Conhecer a ilusão dos sentidos" (tema comum no misticismo e filosofia oriental)
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personalidades literárias completas com biografias e estilos próprios), e esta citação pode ser associada ao tom introspectivo e melancólico do seu ortónimo ou de heterónimos como Ricardo Reis, que abordava a efemeridade com estoicismo.


