Frases de Rudolf von Jhering - Não é o egoísmo, como tal,

Frases de Rudolf von Jhering - Não é o egoísmo, como tal, ...


Frases de Rudolf von Jhering


Não é o egoísmo, como tal, que é indecente - [...] mas só o excesso desse facto.

Rudolf von Jhering

A citação de Jhering convida-nos a refletir sobre a natureza humana, sugerindo que o equilíbrio, e não a negação absoluta, é a chave para uma vida virtuosa. Revela como a virtude reside na moderação, mesmo em aspectos frequentemente condenados.

Significado e Contexto

Esta citação de Rudolf von Jhering desafia a visão simplista que condena o egoísmo de forma absoluta. O autor argumenta que o egoísmo, enquanto impulso natural de autoconservação e busca pelo bem-estar próprio, não é inerentemente negativo ou 'indecente'. O que se torna problemático é o seu 'excesso', ou seja, quando é exercido sem consideração pelos outros, violando direitos alheios ou o equilíbrio social. Jhering, enquanto jurista, provavelmente aborda isto no contexto dos interesses individuais em contraponto com os interesses coletivos e a ordem jurídica. A frase sublinha uma visão pragmática e realista da natureza humana, onde a chave não é a erradicação do interesse próprio, mas a sua regulação e harmonização com o bem comum.

Origem Histórica

Rudolf von Jhering (1818-1892) foi um influente jurista alemão do século XIX, um dos fundadores da jurisprudência sociológica. Viveu numa época de grandes transformações sociais e jurídicas na Europa, com a consolidação dos Estados-nação e a codificação do direito. A sua obra, especialmente 'A Luta pelo Direito' (Der Kampf ums Recht, 1872) e 'O Espírito do Direito Romano' (Geist des römischen Rechts), enfatizava que o direito é um produto da luta de interesses sociais, e não apenas uma abstração lógica. Esta citação reflete a sua perspetiva de que o direito deve mediar e equilibrar os interesses egoístas dos indivíduos para garantir a ordem social.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada no mundo contemporâneo, marcado pelo individualismo, consumismo e, por vezes, pela exploração desmedida de recursos. Serve como um lembrete crítico para áreas como a ética nos negócios, a política, a ecologia e as relações interpessoais. Questiona a cultura do 'cada um por si' e defende que a saúde de uma sociedade depende de encontrar um ponto de equilíbrio entre a realização pessoal e a responsabilidade coletiva. É um antídoto conceptual contra extremismos, seja o do altruísmo ingénuo, seja o do egoísmo predatório.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à sua vasta obra jurídico-filosófica, possivelmente derivando de escritos ou palestras onde discutia a base dos interesses no direito. Não é possível identificá-la com absoluta certeza num único livro, sendo mais uma síntese do seu pensamento amplamente difundida.

Citação Original: "Nicht der Egoismus als solcher ist unanständig - [...] sondern nur das Übermaß desselben." (Alemão)

Exemplos de Uso

  • Na crítica ao capitalismo desregulado: 'O problema não é o lucro, mas o seu excesso à custa dos trabalhadores e do ambiente, ecoando Jhering.'
  • Em psicologia ou autoajuda: 'Cuidar de si não é egoísmo negativo; o excesso que ignora os outros é que se torna prejudicial.'
  • No debate sobre direitos individuais vs. saúde pública: 'A liberdade pessoal é legítima, mas o seu excesso durante uma pandemia pode colocar a comunidade em risco.'

Variações e Sinônimos

  • Tudo em excesso faz mal.
  • A virtude está no meio-termo. (Aristóteles)
  • O remédio pode tornar-se veneno pela dose.
  • O egoísmo moderado é a base da sociedade. (Bernard Mandeville)

Curiosidades

Rudolf von Jhering era conhecido pelo seu estilo de escrita vivo e acessível, incomum para a época no campo jurídico. Usava frequentemente metáforas e exemplos concretos, o que contribuiu para a popularização das suas ideias além da academia.

Perguntas Frequentes

O que Rudolf von Jhering quis dizer com 'excesso' de egoísmo?
Jhering referia-se à prática do interesse próprio de forma desmedida, que ignora ou prejudica os direitos, necessidades e bem-estar dos outros, desequilibrando a harmonia social.
Esta citação justifica o egoísmo?
Não justifica o egoísmo ilimitado, mas reconhece-o como um facto humano natural. A sua mensagem é de moderação e equilíbrio, não de legitimação do comportamento predatório.
Como se relaciona esta ideia com o direito?
Para Jhering, o direito existe precisamente para regular e mediar os conflitos entre os interesses egoístas dos indivíduos, prevenindo o 'excesso' e protegendo a ordem social.
Esta frase contradiz o altruísmo?
Não necessariamente. Pode ser vista como complementar: uma sociedade saudável precisa tanto de indivíduos que cuidam de si (sem excesso) como de atos de generosidade. O foco está na condenação do extremo.

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