Frases de Fernando Pessoa - A ciência descreve as coisas ...

A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.
Fernando Pessoa
Significado e Contexto
Esta citação de Fernando Pessoa estabelece uma distinção clássica entre duas formas fundamentais de abordar a realidade. A ciência, segundo o poeta, preocupa-se com a descrição objetiva dos fenómenos, com 'as coisas como são' - uma perspetiva factual, mensurável e verificável. Por outro lado, a arte lida com a experiência subjetiva, com 'como são sentidas' as coisas, ou seja, com a perceção emocional e pessoal da realidade. Pessoa sugere que ambas são válidas e necessárias, mas operam em registos diferentes: um racional e outro emocional. A profundidade desta afirmação reside na sua capacidade de sintetizar séculos de debate filosófico sobre a natureza da verdade e da experiência humana. Ao contrastar ciência e arte, Pessoa não as coloca em oposição, mas antes como complementares - a ciência fornece o 'que', enquanto a arte explora o 'como' da experiência humana. Esta dualidade reflete a própria natureza complexa do autor, que criou múltiplos heterónimos para expressar diferentes facetas da realidade.
Origem Histórica
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu durante um período de intensa transformação cultural e científica em Portugal e na Europa. O início do século XX foi marcado pelo desenvolvimento da psicanálise, pela teoria da relatividade e por movimentos artísticos como o modernismo e o surrealismo, que questionavam as noções tradicionais de realidade. Pessoa, como intelectual cosmopolita que viveu na África do Sul e em Lisboa, estava profundamente imerso nestes debates. A citação reflete o seu interesse pela filosofia, pela ciência e pela capacidade da arte de capturar dimensões da experiência humana que escapam à análise puramente racional.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no século XXI, especialmente num mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e dados. Num contexto onde a inteligência artificial e a ciência de dados prometem quantificar e prever cada aspeto da vida humana, a distinção de Pessoa lembra-nos que a experiência qualitativa, emocional e subjetiva permanece essencial. A frase é frequentemente citada em debates sobre educação, psicologia, inteligência artificial e estudos culturais, servindo como um lembrete da necessidade de equilibrar abordagens quantitativas e qualitativas na compreensão do mundo.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída aos escritos de Fernando Pessoa, embora não exista consenso absoluto sobre a obra específica onde aparece pela primeira vez. É citada em várias antologias e estudos sobre o autor, sendo considerada representativa do seu pensamento sobre a relação entre arte e ciência.
Citação Original: A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.
Exemplos de Uso
- Na educação contemporânea, esta citação é usada para defender currículos que equilibrem disciplinas científicas e artísticas, reconhecendo que ambas são necessárias para uma formação completa.
- Em psicologia, a distinção ajuda a explicar a diferença entre dados comportamentais objetivos (ciência) e a experiência subjetiva relatada pelos pacientes (arte da terapia).
- No design de produtos digitais, a frase ilustra a necessidade de combinar dados de usabilidade (ciência) com a experiência emocional do utilizador (arte do design).
Variações e Sinônimos
- A ciência explica, a arte interpreta
- Os factos são da ciência, os significados são da arte
- A realidade objetiva versus a perceção subjetiva
- Dados versus experiência
- O que é versus o que parece ser
Curiosidades
Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personagens literárias com biografias e estilos próprios), o que demonstra a sua fascinação pela multiplicidade de perspetivas sobre a realidade - uma ideia que ecoa nesta citação sobre ciência e arte.


