Frases de Michel de Montaigne - Os que têm tentado reformar o

Frases de Michel de Montaigne - Os que têm tentado reformar o...


Frases de Michel de Montaigne


Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.

Michel de Montaigne

Montaigne questiona a efetividade das reformas superficiais que alteram aparências sem transformar essências. Esta reflexão convida-nos a distinguir entre mudanças cosméticas e transformações genuínas.

Significado e Contexto

Montaigne critica aqueles que, no seu tempo, pretendiam reformar os costumes através de 'opiniões novas', mas apenas conseguiam alterar os 'vícios da aparência'. Ou seja, modificavam comportamentos exteriores ou socialmente visíveis, sem tocar nos vícios fundamentais da natureza humana ou das estruturas sociais. Frequentemente, estas reformas superficiais até podiam agravar os problemas de fundo, ao criar uma falsa sensação de progresso ou ao desviar a atenção das verdadeiras causas. A distinção entre aparência e essência é central: enquanto a primeira é fácil de modificar através de regras ou modas, a segunda requer uma transformação mais profunda e difícil.

Origem Histórica

Michel de Montaigne (1533-1592) viveu durante o Renascimento francês, um período de grandes convulsões religiosas (Guerras de Religião) e de questionamento das tradições. Os seus 'Ensaios', publicados a partir de 1580, são uma obra pioneira do género ensaístico, onde reflete sobre a condição humana, a moral, a educação e a sociedade. Esta citação insere-se na sua crítica ao dogmatismo e à hipocrisia, comum numa época em que reformas religiosas e sociais muitas vezes se limitavam a alterar rituais ou aparências, sem mudar atitudes profundas.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância impressionante hoje, especialmente em contextos de ativismo performativo, 'greenwashing' empresarial, ou políticas que abordam sintomas em vez de causas. Nas redes sociais, por exemplo, é comum ver gestos simbólicos (como mudar fotos de perfil) que pouco impactam problemas estruturais como o racismo ou as alterações climáticas. Montaigne alerta-nos para o perigo de confundir sinalização de virtude com mudança real, um risco atual em movimentos sociais, corporações e governos.

Fonte Original: A citação é retirada dos 'Ensaios' de Michel de Montaigne, mais concretamente do Livro I, capítulo 23, intitulado 'Dos costumes e da impossibilidade de os mudar'.

Citação Original: Ceux qui ont essayé de réformer les mœurs du monde, de mon temps, par des opinions nouvelles, réforment les vices de l'apparence ; quant à ceux de l'essence, ils les laissent intacts, quand ils ne les augmentent pas.

Exemplos de Uso

  • Empresas que promovem diversidade apenas em campanhas publicitárias, sem alterar práticas de recrutamento ou cultura interna.
  • Políticos que anunciam medidas ambientais simbólicas, enquanto aprovam projetos poluentes ou não investem em energias renováveis.
  • Pessoas que criticam 'cancel culture' focando-se apenas na linguagem, sem discutir as estruturas de poder que originam o problema.

Variações e Sinônimos

  • Mudar a casca, mas não o miolo.
  • Remendar roupa velha.
  • Pintar de fresco uma parede com humidade.
  • Lavar o rosto sem limpar a alma. (adaptação livre)
  • O hábito não faz o monge.

Curiosidades

Montaigne escreveu os 'Ensaios' na torre do seu castelo, rodeado por uma biblioteca com mais de 1000 livros. A frase reflete a sua desconfiança em relação a utopias e reformas radicais, preferindo um cepticismo moderado e uma ênfase no autoconhecimento.

Perguntas Frequentes

O que Montaigne quer dizer com 'vícios da aparência'?
Refere-se a comportamentos ou costumes visíveis que são facilmente modificados por normas sociais ou modas, mas que não reflectem uma mudança real de carácter ou de valores profundos.
Esta citação aplica-se à política atual?
Sim, criticando reformas ou políticas que alteram superficialmente leis ou discursos sem transformar estruturas de poder ou desigualdades económicas subjacentes.
Qual é a principal lição desta reflexão?
A importância de distinguir entre mudanças cosméticas (aparência) e transformações genuínas (essência), evitando ilusões de progresso.
Montaigne era contra todas as reformas?
Não, mas era céptico em relação a mudanças rápidas baseadas em ideologias abstractas, preferindo uma evolução gradual e baseada na experiência humana concreta.

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