Frases de Hugo von Hofmannsthal - O bom gosto é a capacidade de...

O bom gosto é a capacidade de reagir continuamente contra o exagero.
Hugo von Hofmannsthal
Significado e Contexto
A citação de Hugo von Hofmannsthal propõe uma definição dinâmica e ativa do bom gosto. Em vez de ser um conjunto fixo de preferências ou regras sociais, o bom gosto é apresentado como uma 'capacidade' – uma habilidade que se exerce continuamente. O verbo 'reagir' implica uma postura crítica e consciente, enquanto 'continuamente' sugere que este é um processo permanente, não um estado alcançado. O 'exagero' aqui pode referir-se tanto a excessos estéticos (como ornamentação desnecessária, modas efêmeras ou ostentação) como a extremismos em geral. Assim, o bom gosto torna-se um princípio de moderação, discernimento e autenticidade, que se manifesta precisamente através da rejeição do que é superfluo ou desproporcionado. Esta visão reflete uma conceção do bom gosto intimamente ligada à ética e à autenticidade, comum no pensamento modernista do início do século XX. Hofmannsthal, inserido no contexto da Viena fin-de-siècle, vivia numa sociedade onde o excesso decorativo e as convenções rígidas coexistiam com profundas crises de valores. A sua frase pode ser lida como uma crítica subtil à artificialidade e à falta de autenticidade que ele observava. O bom gosto, assim entendido, não é mera conformidade, mas antes uma forma de resistência cultural que privilegia a essência sobre a aparência, a substância sobre a forma vazia.
Origem Histórica
Hugo von Hofmannsthal (1874-1929) foi um poeta, dramaturgo e ensaísta austríaco, figura central do modernismo de língua alemã e do movimento conhecido como Jung Wien (Jovem Viena). A citação surge no contexto da Viena do final do século XIX e início do XX, um período de intensa fermentação cultural, artística e intelectual (a 'Viena 1900'), mas também de decadência do Império Austro-Húngaro e de crise dos valores tradicionais. Hofmannsthal, inicialmente um poeta simbolista de linguagem refinada, evoluiu para uma escrita mais preocupada com questões éticas e sociais. A sua reflexão sobre o bom gosto reflete esta transição e a sua crítica à superficialidade e ao excesso estético da sociedade vienense da época.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância notável no mundo contemporâneo, marcado pelo consumo excessivo, pela cultura do espetáculo e pela saturação de informação. Num tempo de 'fast fashion', redes sociais que promovem a ostentação e publicidade agressiva, a ideia de bom gosto como reação ao exagero oferece um antídoto valioso. Aplica-se à estética (minimalismo versus consumismo), à comunicação (clareza versus sensacionalismo) e até ao comportamento ético (moderação versus extremismo). Incentiva uma atitude crítica perante as tendências e uma busca por autenticidade e sustentabilidade, sendo especialmente pertinente em debates sobre consumo consciente, design sustentável e comunicação responsável.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída aos escritos e ensaios de Hofmannsthal, embora a fonte exata (obra específica, carta ou discurso) não seja universalmente documentada em referências comuns. Faz parte do seu corpus de reflexões estéticas e culturais.
Citação Original: Der gute Geschmack ist die Fähigkeit, fortwährend gegen das Übertriebene zu reagieren.
Exemplos de Uso
- Na moda sustentável, escolher peças atemporais de qualidade em vez de seguir todas as tendências efêmeras é uma forma de reagir contra o exagero do consumismo.
- No design de interiores, optar por um espaço limpo e funcional, recusando a acumulação decorativa desnecessária, exemplifica este bom gosto.
- Na comunicação pública, preferir argumentos ponderados e factos em vez de retórica inflamada ou manchetes sensacionalistas é uma aplicação contemporânea deste princípio.
Variações e Sinônimos
- Menos é mais.
- A simplicidade é o último grau de sofisticação.
- A elegância é a recusa do supérfluo.
- O bom senso é o génio da humanidade.
Curiosidades
Hugo von Hofmannsthal escreveu o libreto para a ópera 'O Cavaleiro da Rosa' de Richard Strauss, uma obra que, apesar da sua complexidade musical, é elogiada pelo seu equilíbrio entre comédia, drama e profundidade psicológica – talvez um exemplo do seu próprio bom gosto em ação.


