Frases de Fernando Pessoa - Ver muito lucidamente prejudic

Frases de Fernando Pessoa - Ver muito lucidamente prejudic...


Frases de Fernando Pessoa


Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte.

Fernando Pessoa

Esta citação de Fernando Pessoa explora o paradoxo entre razão e emoção na criação artística. Sugere que a lucidez excessiva pode atenuar a profundidade emocional, levando a uma perfeição formal mas fria.

Significado e Contexto

A citação de Fernando Pessoa propõe uma visão sobre a relação entre clareza intelectual e intensidade emocional na criação artística. Segundo o poeta, os gregos antigos possuíam uma capacidade excepcional de ver o mundo com lucidez e racionalidade, o que, paradoxalmente, limitava a profundidade do seu sentir emocional. Esta aparente limitação teria sido, na verdade, a chave para a 'perfeita execução da obra de arte' grega, onde o equilíbrio, a proporção e a forma atingiram um ideal estético quase inigualável. Pessoa sugere assim que a arte perfeita pode surgir não da emotividade descontrolada, mas de uma contenção resultante de uma visão clara e objetiva da realidade.

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu esta reflexão no contexto do modernismo português, período marcado por uma revisão crítica dos valores estéticos e culturais. Influenciado pelo helenismo e pelo debate entre classicismo e romantismo, Pessoa frequentemente contrastava a racionalidade grega com a emotividade de outras tradições. A citação reflete o seu interesse pela cultura clássica e pela busca de uma estética depurada, temas centrais na sua obra heteronímica, especialmente em textos de cariz filosófico ou crítico.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância ao questionar o equilíbrio entre razão e emoção em diversas áreas, desde a criação artística contemporânea até à tomada de decisões na vida moderna. Num mundo sobrecarregado de informação e emotividade, a ideia de que uma visão demasiado lúcida pode limitar a experiência sensível ressoa em debates sobre saúde mental, educação e inovação criativa. A arte grega continua a ser um paradigma de perfeição formal, inspirando discussões sobre se a excelência técnica deve prevalecer sobre a expressão emocional bruta.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa em vários compêndios de aforismos e reflexões suas, frequentemente associada aos seus escritos sobre estética e cultura. Pode ser encontrada em coletâneas como 'Livro do Desassossego' (atribuído ao heterónimo Bernardo Soares) ou em textos críticos dispersos da sua obra.

Citação Original: Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte.

Exemplos de Uso

  • Na crítica de arte, para explicar por que certas obras técnicas impressionam mas não comovem emocionalmente.
  • Em discussões sobre inovação, para defender que a análise excessiva pode bloquear a intuição criativa.
  • Na psicologia, ao debater os efeitos do racionalismo extremo no bem-estar emocional.

Variações e Sinônimos

  • A razão extingue a paixão.
  • O excesso de clareza embota o sentimento.
  • Onde há muita luz, a sombra é mais profunda (adaptação).
  • A perfeição nasce da contenção, não do excesso.

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos (personagens literárias com biografias e estilos próprios), e esta citação reflete a sua fascinação pela fragmentação da identidade e pelo diálogo entre diferentes perspetivas, incluindo a racional e a emocional.

Perguntas Frequentes

O que significa 'ver lucidamente' na citação?
Refere-se à capacidade de perceber a realidade com clareza racional e objetividade, sem a interferência de emoções ou preconceitos.
Por que é que a arte grega é considerada 'perfeita' segundo Pessoa?
Pessoa associa a perfeição à execução técnica impecável e ao equilíbrio formal, resultantes da visão lúcida e contida dos gregos, em contraste com uma expressão emocional excessiva.
Esta ideia aplica-se apenas à arte?
Não, pode estender-se a outras áreas como a ciência, a filosofia ou a vida quotidiana, onde o equilíbrio entre razão e emoção é crucial.
Fernando Pessoa concordava com esta visão?
Como autor complexo, Pessoa explorava múltiplas perspetivas através dos seus heterónimos. Esta citação representa uma visão possível, mas não necessariamente a sua opinião definitiva, refletindo antes um debate interno na sua obra.

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