Frases de Marquês de Maricá - A igualdade repugna de tal mod...

A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.
Marquês de Maricá
Significado e Contexto
A citação do Marquês de Maricá oferece uma reflexão psicológica e social profunda sobre a condição humana. Ele argumenta que a igualdade, enquanto conceito abstrato ou ideal social, é algo que os seres humanos instintivamente rejeitam ou 'repugnam'. Em vez de se contentarem com um estado de paridade, os indivíduos são impulsionados por um 'maior empenho' – uma força motriz fundamental – para se destacarem dos outros, para se 'distinguirem' ou 'desigualarem'. Isto pode manifestar-se através da busca por sucesso, reconhecimento, riqueza, poder, talento único ou qualquer característica que os coloque acima da média. A frase sugere que esta necessidade de diferenciação é um traço inerente e potente da psique humana, muitas vezes mais forte do que os apelos à uniformidade ou justiça social. Num tom educativo, podemos interpretar esta ideia como um comentário sobre as dinâmicas sociais. Enquanto muitas filosofias e sistemas políticos defendem a igualdade como um princípio orientador, a observação de Maricá lembra-nos das forças contrárias em jogo no comportamento individual. A tensão entre o coletivo (que pode beneficiar da cooperação e equidade) e o individual (que busca afirmação e superioridade) é um tema perene nas ciências sociais. A citação não faz um juízo de valor explícito; antes, descreve uma aparente contradição na natureza humana, convidando à reflexão sobre como as sociedades gerem este impulso universal.
Origem Histórica
Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu durante uma era de transição no Brasil, que passou de colónia portuguesa a império independente. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (publicadas postumamente) são uma coleção de aforismos que reflectem uma visão conservadora, moralista e por vezes cética sobre a sociedade, a política e a natureza humana, influenciada pelo Iluminismo e pelo pensamento clássico. O contexto do Brasil oitocentista, com a sua rígida hierarquia social e escravatura, certamente informou as suas observações sobre desigualdade e distinção.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante no mundo contemporâneo. Nas sociedades modernas, capitalistas e hiperconectadas, a pressão para se destacar é omnipresente: nas redes sociais (busca por likes e seguidores), nas carreiras (competição por promoções e salários), no consumo (bens de status) e até no activismo (onde por vezes a performance individual pode sobrepor-se ao objetivo coletivo). A citação ajuda a explicar fenómenos como a cultura da celebridade, a desigualdade económica crescente e a dificuldade em implementar políticas de igualdade radical. Serve como um lembrete de que qualquer projecto social que ignore este impulso humano básico pela distinção pode enfrentar resistências profundas e inesperadas.
Fonte Original: Obra 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá (publicada postumamente). A citação é um dos seus aforismos mais conhecidos.
Citação Original: A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.
Exemplos de Uso
- Nas redes sociais, os 'influencers' personificam este 'empenho em distinguir-se', criando conteúdos únicos para se destacarem na multidão digital.
- No mercado de trabalho, a busca por salários mais altos e cargos de liderança reflecte o desejo de 'desigualar-se' em relação aos colegas.
- O consumo de produtos de luxo ou edições limitadas é muitas vezes motivado menos pela utilidade e mais pelo desejo de demonstração de distinção social.
Variações e Sinônimos
- O homem é um animal que deseja ser mais do que os outros.
- A vaidade é o motor do mundo.
- Cada um quer ser singular, nunca igual.
- A luta por status é inerente à condição humana.
- Ninguém quer ser apenas mais um na multidão.
Curiosidades
O Marquês de Maricá era conhecido pela sua vida austera e pelo hábito de anotar pensamentos em pequenos pedaços de papel, que depois foram compilados na sua obra póstuma. O seu título de nobreza foi concedido pelo Imperador D. Pedro I do Brasil.


