Frases de Marquês de Maricá - Os velhos prezam ordinariament

Frases de Marquês de Maricá - Os velhos prezam ordinariament...


Frases de Marquês de Maricá


Os velhos prezam ordinariamente os mortos e desprezam os vivos.

Marquês de Maricá

Esta citação do Marquês de Maricá revela uma ironia profunda sobre a natureza humana: tendemos a valorizar o que perdemos e a negligenciar o que temos. É um lembrete sobre como o tempo e a ausência distorcem a nossa perceção do valor das pessoas.

Significado e Contexto

A citação critica uma tendência humana observável em muitas sociedades: a propensão para idealizar os que já partiram, atribuindo-lhes virtudes que talvez não tenham tido em vida, enquanto se menospreza ou ignora os que estão presentes, com todas as suas falhas e complexidades. O uso da palavra 'ordinariamente' sugere que este não é um comportamento universal, mas comum, quase um padrão psicológico ou social. A referência aos 'velhos' pode ser interpretada literalmente, como uma observação sobre a sabedoria ou os vícios da idade, ou metaforicamente, como uma crítica a tradições e instituições que resistem à mudança e veneram o passado de forma acrítica. Num tom educativo, esta frase convida à reflexão sobre como construímos a memória coletiva e individual. Questiona se a nossa veneração pelos mortos é genuína ou se serve para evitar os desafios de lidar com os vivos. É um alerta contra a nostalgia que paralisa e contra o desdém que impede o diálogo e o progresso. A citação, no fundo, é um apelo ao equilíbrio: honrar o passado sem idolatrá-lo, e valorizar o presente sem o desprezar.

Origem Histórica

Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773-1848), foi um político, filósofo e escritor brasileiro do período imperial. Viveu numa época de transição, entre o Brasil colónia e o império independente, marcada por grandes convulsões políticas e sociais. As suas 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' (coletadas e publicadas postumamente) são a sua obra mais conhecida, onde, influenciado pelo Iluminismo e por pensadores como La Rochefoucauld, oferece observações morais e críticas sociais aguçadas, muitas vezes cínicas, sobre a natureza humana e os costumes da sua época. A citação em análise insere-se neste contexto de crítica social e reflexão moral.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância impressionante na era das redes sociais e da cultura da celebridade. Vemos frequentemente a 'canonização' pública de figuras após a sua morte, contrastando com a crítica feroz que sofriam em vida. Em contextos familiares ou profissionais, é comum recordar com saudade colegas ou familiares falecidos, enquanto se desvalorizam os contributos dos que estão presentes. A citação serve como um antídoto contra esta distorção, incentivando uma apreciação mais justa e presente das relações humanas.

Fonte Original: Obra: 'Máximas, Pensamentos e Reflexões' do Marquês de Maricá (coletânea publicada postumamente). Não há uma referência a um livro ou discurso específico, sendo uma das suas muitas máximas recolhidas.

Citação Original: Os velhos prezam ordinariamente os mortos e desprezam os vivos.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre política, alguém pode usar a frase para criticar partidos que idolatram líderes históricos mas ignoram os problemas atuais da população.
  • Num contexto familiar, pode ilustrar a tendência de lembrar um avô falecido como perfeito, enquanto se criticam pequenas falhas dos pais.
  • Numa empresa, pode descrever a cultura que venera o fundador falecido, mas desconsidera as ideias inovadoras dos colaboradores atuais.

Variações e Sinônimos

  • Santo de casa não faz milagre.
  • A relva do vizinho é sempre mais verde.
  • Ninguém é profeta na sua terra.
  • Só damos valor à água quando o poço seca.
  • A memória tende a idealizar o passado.

Curiosidades

O Marquês de Maricá era conhecido pela sua vida discreta e pela sua vasta coleção de livros. As suas 'Máximas' foram inicialmente publicadas de forma anónima e só mais tarde atribuídas a ele, ganhando grande popularidade no Brasil do século XIX pela sua perspicácia e estilo conciso.

Perguntas Frequentes

Quem foi o Marquês de Maricá?
Foi um político, filósofo e escritor brasileiro do século XIX, autor da famosa coletânea 'Máximas, Pensamentos e Reflexões', conhecida pelas suas observações críticas sobre a natureza humana.
O que significa 'prezam ordinariamente' na citação?
Significa 'valorizam habitualmente' ou 'têm em alta estima de forma comum'. A palavra 'ordinariamente' destaca que este é um comportamento frequente, quase um padrão, e não uma exceção.
Esta citação aplica-se apenas aos idosos?
Não necessariamente. Embora mencione 'os velhos', pode ser interpretada de forma mais ampla. Refere-se a qualquer pessoa ou instituição que tenda a venerar o passado (os 'mortos', simbolicamente) e a desvalorizar o presente (os 'vivos').
Qual é a principal lição desta citação?
A principal lição é um alerta contra a idealização acrítica do passado e o desprezo pelo presente. Encoraja-nos a valorizar de forma equilibrada tanto a memória como as pessoas e oportunidades que temos ao nosso redor agora.

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