Frases de Fernando Pessoa - Correr riscos reais, além de

Frases de Fernando Pessoa - Correr riscos reais, além de ...


Frases de Fernando Pessoa


Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e me despersonaliza.

Fernando Pessoa

Esta citação revela uma profunda introspeção sobre a experiência do medo, onde o verdadeiro desconforto não está no perigo em si, mas na hiperconsciência de si mesmo que ele desencadeia. Pessoa explora como o risco pode fragmentar a identidade, transformando o medo numa crise de existência.

Significado e Contexto

Esta citação de Fernando Pessoa explora a natureza paradoxal do medo perante o risco. O autor não descreve simplesmente o medo como uma emoção primária de perigo, mas como um estado de hiperconsciência que perturba a perceção do eu. A 'perfeita atenção às minhas sensações' refere-se a uma observação interna tão intensa que se torna alienante, desconectando o indivíduo da sua identidade habitual. Este processo de 'despersonalização' sugere que, em momentos de risco extremo, a mente pode fragmentar-se, tornando a experiência mais traumática pela perda de coerência do self do que pelo perigo objetivo. Num contexto educativo, esta perspetiva é valiosa para compreender respostas psicológicas complexas ao stress. Pessoa antecipa conceitos modernos da psicologia sobre dissociação e ansiedade, onde o foco excessivo nas sensações internas pode levar a uma sensação de irrealidade ou separação de si mesmo. A citação convida à reflexão sobre como enfrentamos incertezas: por vezes, o maior obstáculo não é a ameaça externa, mas a turbulência interna que ela provoca.

Origem Histórica

Fernando Pessoa (1888-1935) é o maior poeta português do século XX e uma figura central do Modernismo. Viveu num período de grandes transformações sociais e políticas em Portugal, incluindo a implantação da República (1910) e o crescimento do urbanismo lisboeta. A sua obra, marcada por uma profunda introspeção e pela criação de heterónimos (personalidades literárias distintas), reflete a crise de identidade e a fragmentação do sujeito moderno, temas comuns na literatura europeia do início do século XX. Esta citação exemplifica a sua exploração constante da consciência e da subjectividade.

Relevância Atual

A frase mantém relevância hoje porque aborda universalmente a experiência humana perante a incerteza e o risco, seja em contextos pessoais, profissionais ou sociais. Num mundo marcado por crises globais, mudanças rápidas e ansiedade generalizada, a ideia de que o medo pode levar a uma despersonalização ressoa com discussões contemporâneas sobre saúde mental, burnout e a pressão para uma constante autorreflexão. É particularmente pertinente em debates sobre como a tecnologia e as redes sociais exacerbam a autoconsciência e a desconexão identitária.

Fonte Original: A citação é atribuída a Fernando Pessoa, provavelmente proveniente dos seus escritos em prosa, como 'Livro do Desassossego' (atribuído ao heterónimo Bernardo Soares) ou de cartas e textos dispersos. A obra pessoana é vasta e fragmentária, com muitos textos publicados postumamente.

Citação Original: Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e me despersonaliza.

Exemplos de Uso

  • Num contexto de ansiedade social, alguém pode dizer: 'Não é o discurso em público que me assusta, mas a hiperconsciência de cada gesto, que me despersonaliza, como descrevia Pessoa.'
  • Em coaching ou psicologia, pode ser usado para explicar respostas dissociativas ao stress: 'O cliente relatou que, durante o ataque de pânico, sentiu uma 'perfeita atenção às sensações' que o despersonalizou, ecoando a observação de Pessoa.'
  • Na análise literária ou filosófica: 'Esta citação de Pessoa ilustra como o risco extremo pode levar a uma crise identitária, onde o medo se transforma numa experiência de desenraizamento do eu.'

Variações e Sinônimos

  • O medo não está no perigo, mas na consciência de si mesmo.
  • O risco desfaz-me a identidade.
  • A atenção plena às sensações pode ser alienante.
  • Ditado popular: 'O pior cego é aquele que não quer ver a si mesmo.' (adaptado)

Curiosidades

Fernando Pessoa criou mais de 70 heterónimos, cada um com biografia, estilo literário e visão de mundo próprios. Esta fragmentação da identidade pode refletir-se nesta citação, onde a 'despersonalização' não é apenas uma metáfora, mas uma experiência literária e existencial central na sua obra.

Perguntas Frequentes

O que significa 'despersonalização' nesta citação?
Refere-se a uma sensação de alienação ou separação de si mesmo, onde a hiperconsciência das sensações internas faz com que a pessoa se sinta desconectada da sua identidade habitual, como se observasse de fora.
Por que é que Fernando Pessoa fala do medo desta forma?
Pessoa explora o medo não como emoção simples, mas como experiência filosófica e psicológica complexa, alinhada com o seu interesse pela introspeção e pela fragmentação do eu no Modernismo.
Como posso aplicar esta citação à vida quotidiana?
Pode ajudar a compreender respostas ao stress ou ansiedade, onde o foco excessivo em sensações internas (como batimentos cardíacos ou pensamentos) pode amplificar o desconforto, sugerindo a importância de técnicas de grounding ou mindfulness.
Esta citação está relacionada com os heterónimos de Pessoa?
Sim, indirectamente. A ideia de despersonalização ecoa a sua criação de múltiplas identidades literárias, refletindo uma visão do self como fluido e fragmentado, tema central na sua obra.

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