Frases de Arthur Schopenhauer - A honra concerne apenas às qu

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Frases de Arthur Schopenhauer


A honra concerne apenas às qualidades que são exigidas de todos os que se encontram nas mesmas condições; a glória, às qualidades que não se podem exigir de ninguém.

Arthur Schopenhauer

Schopenhauer distingue entre o que devemos aos outros e o que nos eleva acima do comum. A honra é uma obrigação partilhada, enquanto a glória é um dom singular.

Significado e Contexto

Schopenhauer estabelece uma distinção fundamental entre dois conceitos frequentemente confundidos: a honra e a glória. A honra refere-se às qualidades ou ações que são moral ou socialmente exigíveis de qualquer pessoa numa determinada posição ou condição. É um padrão mínimo de conduta, uma obrigação partilhada. Por exemplo, a honestidade de um comerciante ou a coragem de um soldado são qualidades 'exigidas' – a sua ausência é censurável, mas a sua presença é o esperado. A glória, pelo contrário, pertence ao domínio do excecional. São qualidades ou feitos que não se podem exigir de ninguém, pois transcendem o comum e o obrigatório. Representam um mérito singular, um brilho que distingue um indivíduo da massa. Enquanto a honra evita a desonra, a glória conquista admiração.

Origem Histórica

Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo alemão do século XIX, conhecido pelo seu sistema filosófico profundamente pessimista, influenciado por Platão, Kant e pela filosofia indiana. Viveu num período pós-Kantiano e contemporâneo de Hegel, contra cujo idealismo reagiu fortemente. A sua obra principal, 'O Mundo como Vontade e Representação', explora a vontade cega como essência do mundo, fonte de sofrimento. Reflexões sobre ética, honra e a condição humana perpassam os seus escritos menores e aforismos.

Relevância Atual

Esta distinção mantém-se crucial para analisar a sociedade contemporânea. Nas redes sociais, por exemplo, a 'honra' pode corresponder à expectativa básica de não difamar (uma conduta exigível), enquanto a 'glória' seria reservada para criações ou ações verdadeiramente inovadoras e inspiradoras. Ajuda a criticar culturas de 'cancelamento' (focadas na falta de honra) e a valorizar o mérito autêntico para lá do mero cumprimento de regras. É um antídoto contra a banalização do termo 'herói'.

Fonte Original: A citação é provavelmente dos 'Parerga e Paralipomena' (1851), uma coleção de ensaios e aforismos que popularizou o pensamento de Schopenhauer. Pode estar na secção 'Aforismas para a Sabedoria da Vida'.

Citação Original: "Die Ehre betrifft nur die Eigenschaften, die man von jedem unter gleichen Umständen fordert; der Ruhm aber die, die man von niemand fordern kann." (Alemão)

Exemplos de Uso

  • Num contexto empresarial: Cumprir prazos é uma questão de honra profissional (exigível); lançar um produto revolucionário que muda o mercado é uma glória (não exigível).
  • No desporto: Respeitar as regras do jogo e o adversário é honra desportiva; bater um recorde mundial é glória.
  • Na vida cívica: Pagar os impostos é uma obrigação honrosa (exigida por lei); dedicar a vida a um projeto humanitário de risco é um acto glorioso.

Variações e Sinônimos

  • A honra evita a culpa, a glória conquista louvor.
  • O dever é comum, o génio é único.
  • Há quem cumpra, há quem transcenda.
  • Ditado popular: 'A obrigação é de todos, o mérito é de poucos'.

Curiosidades

Schopenhauer era tão cioso da sua originalidade que, ao publicar 'Parerga e Paralipomena', insistiu que a obra fosse impressa com um tipo de letra especial (Fraktur) para se distinguir visualmente.

Perguntas Frequentes

Schopenhauer considerava a honra ou a glória mais valiosa?
Schopenhauer, sendo pessimista, via a honra como uma necessidade social para evitar sofrimento, mas a verdadeira glória (rara e autêntica) como algo superior, embora difícil de alcançar e muitas vezes não reconhecida.
Esta citação aplica-se à fama das redes sociais?
Sim, de forma crítica. Muitos 'influenciadores' podem ter fama (uma imitação barata da glória) sem necessariamente possuir as qualidades excecionais que Schopenhauer associa à verdadeira glória, que não se pode exigir.
Qual a diferença entre 'glória' e 'vaidade' para Schopenhauer?
A glória, nesta definição, assenta em qualidades ou feitos reais e excecionais. A vaidade, que Schopenhauer desprezava, é o desejo de reconhecimento sem mérito correspondente, uma busca vazia pela aparência da glória.
Esta ideia tem paralelos noutros filósofos?
Sim. Pode relacionar-se com a distinção kantiana entre 'imperativo hipotético' (agir por dever/obrigação) e a ação por puro respeito à lei moral, que tem um carácter de exceção e dignidade própria.

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