Frases de Jean-Jacques Rousseau - Cada idade tem as suas inclina...

Cada idade tem as suas inclinações, mas o homem é sempre o mesmo. Aos 10 anos é levado por doces; aos 20 por uma amante; aos 30 pelo prazer; aos 40 pela ambição; aos 50 pela avareza.
Jean-Jacques Rousseau
Significado e Contexto
A citação de Rousseau descreve uma evolução das motivações humanas ao longo das décadas, mapeando uma transição desde os prazeres mais imediatos e sensoriais da infância e juventude (doces, amante, prazer) para as ambições mais sociais e materiais da idade adulta (ambição, avareza). Esta progressão não é apresentada como um amadurecimento moral, mas sim como uma mudança no objeto do desejo, mantendo-se inalterada a natureza fundamental do homem, movida por inclinações e apetites. Rousseau parece sugerir uma certa inevitabilidade nestas fases, questionando implicitamente se o ser humano é verdadeiramente livre ou se é escravo de uma sucessão de paixões pré-determinadas pela idade.
Origem Histórica
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um dos principais filósofos do Iluminismo, cujo pensamento influenciou profundamente a Revolução Francesa e o Romantismo. Viveu num período de transição entre o Antigo Regime e a modernidade, marcado por debates sobre a liberdade, a educação e a natureza do homem. A sua obra frequentemente contrastava a bondade natural do homem com os vícios corrompidos pela sociedade. Esta reflexão sobre as idades do homem insere-se na sua análise antropológica e psicológica, comum nos escritos moralistas dos séculos XVII e XVIII.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância surpreendente, servindo como um espelho para reflexões contemporâneas sobre psicologia do desenvolvimento, consumo e prioridades de vida. Num mundo obcecado com a juventude e o sucesso material, a observação de Rousseau convida a uma introspeção sobre o que verdadeiramente nos motiva em cada fase. É usada em contextos de coaching, discussões sobre midlife crisis e análises sociológicas sobre os valores de cada geração, demonstrando que a questão central – a constância da natureza humana sob mudanças superficiais – continua a ser um tema pertinente.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Rousseau, mas a sua origem exata numa obra específica é difícil de precisar. É citada em várias antologias e compilações de aforismos, refletindo o estilo e os temas do seu pensamento, particularmente das suas obras sobre educação e moral, como 'Emílio' ou 'Os Devaneios de um Caminhante Solitário'.
Citação Original: Chaque âge a ses inclinations, mais l'homme est toujours le même. À dix ans, il est mené par des bonbons; à vingt, par une maîtresse; à trente, par les plaisirs; à quarante, par l'ambition; à cinquante, par l'avarice.
Exemplos de Uso
- Num artigo sobre psicologia, para ilustrar as mudanças nas prioridades ao longo da vida adulta.
- Numa palestra sobre finanças pessoais, para criticar a transição de uma busca por status (ambição) para uma acumulação sem propósito (avareza).
- Num debate sobre felicidade, para questionar se somos escravos de desejos que evoluem mas nunca nos satisfazem plenamente.
Variações e Sinônimos
- "Cada idade tem as suas loucuras." (provérbio popular)
- "O homem é um animal de desejos." (reflexão filosófica)
- "Aos vinte anos queremos amor; aos quarenta, sucesso; aos sessenta, saúde." (variante moderna)
Curiosidades
Apesar de Rousseau analisar criticamente as paixões humanas, a sua vida pessoal foi marcada por controvérsias relacionadas com estas mesmas inclinações, incluindo relacionamentos tumultuosos e a entrega dos seus próprios filhos a um orfanato, um ato que muitos biógrafos associam a conflitos entre o seu pensamento filosófico e a sua conduta prática.


